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quinta-feira, 20 de março de 2008

há um lago nos olhos da casa

há um lago nos olhos da casa
fechado
em teu coração

o enfraquecido
pulsar do sangue
não logra abri-lo

na água nem uma vibração

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

fugi da chuva


fugi da chuva
que caía em grossas e frias
bagas. não gotas.

abri a porta e
respirei aliviada.
estava em casa.

maquinalmente
despi e pendurei
o casaco.
despojei-me dos adereços
aqui desnecessários.
a casa é abrigo,
santuário.

sentei-me a ler
e a chuva recomeçou.

em segundos fiquei
encharcada.
até aos ossos.

olhei a janela
por onde a água
escorria forte.

por dentro.
olhei
o chão da sala.

caudoloso rio
crescia
numa enchente
tapando já
meus tornozelos.

de novo virei
o olhar para a janela.

lá fora o céu
azul
resplandecia com
ofuscante luz solar.

fiquei.

esperei a chuva passar.
ou afogar-me.
transformar-me
em marinho ser .

transmutar-me.


terça-feira, 8 de maio de 2007

ERGA O SILÊNCIO A VOZ


I

erga o silêncio a voz
e as nossas se calem
silenciadas
que as palavras
não ditas, por mal ditas
não façam do silêncio nossa fala.


II

com o silêncio se mata
a falsa voz
para que nunca
em nós
feneça a fala.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Creio nos anjos que andam pelo mundo


Creio nos anjos que andam pelo mundo,


Creio na Deusa com olhos de diamantes,

Creio em amores lunares com piano ao fundo,

Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
*

Creio num engenho que falta mais fecundo

De harmonizar as partes dissonantes,

Creio que tudo é eterno num segundo,

Creio num céu futuro que houve dantes,

*
Creio nos deuses de um astral mais puro,

Na flor humilde que se encosta ao muro,

Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,

*
Na ocupação do mundo pelas rosas,

Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
**

CORREIA, Natália, 1990, "Sonetos Românticos".
Informação: este poema é cantado por Janita Salomé (uma das nossa mehores vozes)

terça-feira, 27 de março de 2007

eternidade



A eternidade
é isto


Ficar imóvel
e inalterada?

Absorta,
indiferente...

Nem morta
nem viva.

Corpo quedo,
mente ausente
estaladiço
embrulho de papel
fugidia a alma?