segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

a viagem


a Estrela d’Alva anuncia a mudança. as transformações do dia são, decididamente já bem visíveis.
acelero a passada para aproveitar a orientação que as estrelas me dão. elas são a carta pela qual, sem sofisma ou possível paralogismo me oriento. não só no plano físico, geográfico, como noutros planos menos visíveis a olhares despreparados. não iniciados.
sem elas paro. alimento-me e descanso. preparo-me, física e espiritualmente, para nova caminhada mal surjam no céu.
através delas desvendo o caminho a seguir, iluminado pela sua luz difusa por vezes fortalecida pela fria luz lunar.
preparo-me para o reencontro com o meu patrono. fonte de bondade. oráculo por onde a voz dos deuses passa tal a sabedoria e as profecias correctas e justas que pronuncia.

estendo, no chão, o manto de viagem que me cobre e onde um pouco mais tarde repousarei, acendo uma pequena fogueira e nela aqueço, hidratando-os com água, os alimentos secos que trago na mochila, enriquecendo-os com ervas colhidas ao longo do dia.
agradeço os alimentos e todas as dádivas recebidas. finalmente deito o corpo e repouso.
é então que o cansaço começa a inundar os músculos até que se liberta e o sono me cobre de paz.

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Ao clicares no título do texto (topo) saltas para o Eremitério, fonte do Jogo e lá poderás ler vários textos da mais diversa autoria.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

22 Olhares sobre 12 Palavras em Lisboa e mais uma novidade

Estaremos convosco em Lisboa, na Livraria Barata no dia e horas aprazados no convite.
A cantora lírica - soprano - Estefânia Estevens e Francisco Lampreia -poeta e diseur,
supreender-nos-ão com beleza.
Venham fazer a festa.
Juntem vossos olhares aos nossos.

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E outra surpresa boa.

Uma das nossas co-autoras, a Paula Raposo

acaba de ver editado um livro seu

de poemas. 40 Poemas.
Poderão encmendar directamente

para ela através do email:

mpaularaposo@hotmail.com
PVP - 3,00€ (não tem engano, não! Três € )

Se lhe encomendarem ela poderá levá-los no dia 5.


terça-feira, 28 de outubro de 2008

mais textos no âmbito do 7º Jogo das 12 Palavras


com um falaz galanteio de harmonia, num gesto de liberdade, em sintonia com todos os seres, a luz, sem esforço nem capitulação deixou a escuridão da noite alastrar. Bailarina do silêncio e do sentimento.




ergueu-se o bailarino em sintonia com a luz.
sem esforço recusou a capitulação perante a escuridão.
cada gesto desenho de pura harmonia entre corpo e sentimento.
sabia quão falaz era a liberdade, mais ainda todo e qualquer galanteio que lhe era dirigido.

compõe o quadro. pega no pincel e torna-o + vivo e gracioso

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.


És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

(em Poesias de Fernando Pessoa)
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Clica no link e delicia-te a "pintar"

http://www.jacquielawson.com/preview.asp?cont=1&hdn=5&pv=3146946

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Ode ao gato


Os animais foram imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato
é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogara as moedas da noite
Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(versão brasileira) Pablo Neruda

terça-feira, 21 de outubro de 2008

o sentido das coisas


Salazar afirmou, certa vez, que era mais fácil ser mandado do que mandar. Cada um que faça as suas reflexões, a partir da lapidar afirmação a que o senhor chegou e que, "democraticamente", partilhou connosco. Veio-me esta afirmação à memória quando ao sentar-me ao computador, de entre uma multiplicidade de assuntos, que andam em ebulição nos neuróniozinhos, se me tornaram presentes situações, infelizmente recorrentes, com que qualquer um de nós se confronta quotidianamente e que “mexem” com a ideia que detemos sobre o que são, ou deviam ser, os nossos direitos enquanto cidadãos, num estado democrático que se senta à mesa dos países avançados. Não só sobre os direitos mas também sobre a forma que assume a sua expressão e o conteúdo que os mesmos deveriam configurar.


Da multiplicidade de incongruências que identifiquei ocorreu-me uma frase que reputo de valor aproximado, para não dizer idêntico, aquela com que iniciei esta escrita: “é muito fácil criticar” .(Como sabem não é de minha autoria mas sendo tão de todos é como se fosse).

1º episódio – há tempos minha neta adoeceu. Consulta, medicação e domicílio. Ao fim de cinco dias não estava melhor, antes apresentando mais queixas. Domingo à noite pegamos na criança e fomos à urgência do Hospital. Aí chegadas encontramos uma sala de espera atolada de mães com filhos bebés ao colo. As idades – global e maioritariamente – oscilariam entre os 18 meses e os 3 anos. O ar estava saturado. Não havia onde nos sentarmos. Esperamos, um pouco mais de meia hora, e constatámos que durante todo aquele tempo ninguém fora chamado. No total encontravam-se lá, 34 crianças doentes. Se ao fim de meia hora nenhuma criança tinha sido chamada é de esperar, partindo do princípio que iriam chamar uma de imediato, que o tempo de espera oscilasse entre as 5 a 10 horas, consoante estivessem um ou dois médicos de serviço.

Se nos ativéssemos ao tempo médio de 30’ e um médico de serviço, daria qualquer coisa como 17 horas de espera a respirar ar saturado de micróbios vários.


2º episódio – que o não é! Foi sim uma notícia que li no J.N. há 7 anos atrás [2001.03.12,(p:16)]

Morrem pessoas por intoxicação reactiva entre medicamentos e alimentos - numa base tão simples como: analgésicos; anti-inflamatórios e anti-alérgicos com - vitaminas, nomeadamente as dos citrinos.
Por ex. quem está a tomar um anti-histamínico deve ser “proibido” de comer citrinos e outros alimentos ricos em vitamina C. Moral da história: os serviços públicos não funcionam; recorremos aos privados com enorme esforço económico, na convicção de que serão mais lestos e quiçá, de melhor qualidade –i.e. melhor diagnóstico – vimos a descobrir, nas páginas de um jornal, que nos andam a dar medicamentos que não produzem efeito –ai a vitamina C- ou que, na pior das hipóteses, nos podem levar à morte. Têm o direito de pensar que estes assuntos não passam de “coisas” comezinhas. Permito-me discordar pois é de coisa pequena em coisa pequena que passamos às grandes e, continuando a não exercer o nosso direito de indignação no momento certo, talvez todo o país se esvaia em dor enquanto o país virtual continua sentado à grande mesa.

domingo, 5 de outubro de 2008

diz-me...


diz-me, porque estás aí sentado com esse olhar perdido e amortecido num imenso distanciamento? porque não vens comungar deste erodido e avassalador sentimento. esta fusão de mar, céu e azul em mim feitos tempestade?
porque te não moves, nada dizes, e te transformas no farol que necessito?a envolvente sombra que me esmaga transformada em inultrapassável degrau. moves-te. a esperança, ténue linha momentâneo sol, desfaz-se m mim. como o chocolate que tiras da caixa e metes na boca _______________olha para mim………..

______________________________inicia a viagem a dois para que a vida nos deu licença.
________ quando te conheci trazias flores nos braços. ou eram os teus braços as flores?
________sentia-me criança perdida. irreal silhueta sem substância peso ou conteúdo. gota de orvalho sem poiso. pena no meio de devastador torvelinho _____________________________

___________a vulnerabilidade da morte atingira-me sem qualquer obstrução
na exponente manhã em que sentia a bela tapeçaria da vida a esboroar-se, a afastar-se. delida. sem possível conserto foste o anjo-da-guarda conselheiro que me trouxe de volta.mas agora estás aí. a comer chocolates ______________ quedo _____________mudo….enquanto a loucura assente em velhas raízes e lodo começa a emergir e num sobressalto me retira toda a água do corpo _________figura de cal.
na interminável busca de mim começo a vasculhar-me. e tu, aí! quieto ______________ calado e mudo ___________________saboreias os chocolates que retiras da caixa...
penso num método para me fazer ouvir… me tornar visível _________________________com olhos de cal procuro-me e vejo o que de mim resta. um cotovelo onde uma branca rosácea alastra ___________________________não há conversa ______________movimento _______ variável alguma que te faça abandonar o ostracismo em que vives? ou o ostracismo a que me votaste…?
não sei… construíste um casulo como se fosses único habitante de inexistente país. não há vapor que o amoleça queime e destrua. só talvez algum que do inferno ascenda directo ________________ até ti ___________________________vertical
nefelibata
não de sonhos mas de pesadelos…
antes eram os teus braços___________ os teus braços eram as flores que recordo ___________________________ deixo-me inundar pelas memórias dos teus olhos brilhando na noite __________farol e luar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

ruínas

a janela é um rasgão
no tecido de pedra

por ela a luz entra
sai a curiosidade
o olhar se expande
e respira a casa

no passar dos tempos
no abandono das gentes
rasga-se o tecido
que a sustenta

já não casa
já não janela
já não boca

por onde
circulam
olhar e ar.

simultaneidade
de rasgões
retalhos da casa
e das memórias

a céu aberto exposta
ferida.



(TMara)

Foto com que participei no FOTODICIONÁRIO do PPP da passada semana.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Blogagem colectiva por Flávia

Blogagem Colectiva para Flávia em 9/Set/2008

A Odele relata a vida de sua filha (AQUI).

Flávia está em coma vigil há 10 anos por haver sido sugada pelo sistema de uma piscina. Sua mãe convocou uma mobilização para hoje, dia 15/09. O caso está agora para ser julgado em Brasília

Adere porque há boas causas.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

"pausas" - colaboração no Fotodicionário do P.P.P

Foi com esta foto que participei, na transacta semana, no P.P.P. sobre a palavra “pausa”!
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\-/

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_______________________ __________________________ ___________ ____ ______ pausa(s) ____________________ ________________


intervalo
suspensão
inércia
vagar

calma
silêncio

respiração

hiato
espaço
interrupção
momento

tranquilidade
ausência

paragem
necessidade
imposição
ritmo

coração

urgência
prudência


pausa pausas
pausadamente

momentos
descanso

merecida
compensadora
retemperadora

___________ pausa ____________
_____em serenidade ______

terça-feira, 19 de agosto de 2008

livro de poesia de Teresa Gonçalves

Quem quiser adquirir procure nas livrarias ou contacte a editora. Dados do livro: Ísis(2008) "SINGELO CANAL". CORPOS editora

quarta-feira, 30 de julho de 2008

vivo num pequeno casulo. País habitado por nefelibatas não por opção, mas pela mais pura necessidade. "o sonho comanda a vida" é para nós uma forma de vida. a vida ela mesma. toda a variável à norma torna-a instável movimento-inferno que nos destrói enquanto o luar ilumina este pequeno rincão deslizando para as atlânticas águas que um dia o inundar(ão) sobre ele se fechando em feroz ostracismo. Talvez alguma fina linha de Vapor residual fique. a indicar o lugar onde um dia existiu um país que se esvaiu em pequenas e inúteis conversas de café sem mais consequências do que uma momentânea e fugaz exaltação.

nenhuma humana forma vertical se manterá à tona.

(publicado 5º Jogo das 12 palavras)

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e um outro texto que ficou por aqui....


Os nefelibatas sempre se deram bem com o luar e mal com o movimento. No seu mundo -casulo cuidadosamente tecido de conversa e sonhos é difícil entrar. Remetem-se a um auto-ostracismo porque o mundo lhes parece o inferno de Dante e cada país que visitam a sua antecâmara. Têm humor variável sem aparente razão aos olhos dos demais-comuns. Facilmente se deixam inundar por paixões e humores que, qual vapor, se esfumam na vertical desenhando novas nuvens.

sábado, 26 de julho de 2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Capa do livro do projecto colectivo do JOGO das 12 PALAVRAS

como sou atrevida sugeri ao Eremita que divulgasse já a capa e que a usássemos como divulgação, na badana dos nossos blogs sugerindo reservas aos interessados - esperamos muuiiiiitooooossss/
aaaaaaasssss e mobilizando ao(s) lançamento(s) em Novembro - data a confirmar.

O meu atrevimento está no facto de o ter sugerido via email há escassos minutos e já o estar a fazer sem dele saber a opinião.

Notem que a capa não está completa pois falta o logo da editora, mas basicamente é esta.

Apelativa e bem simbólica para o jogo, numa espiral de palavras e de imaginário, não?

Parabéns à nossa amiga Raquel Vasconcelos- pela capa e porque hoje ainda é uma...bebé. Só um dia de vida nova...Que lhe seja um bom e leve ano.

Quem quiser reservar - pode fazê-lo desde já para a editora:
ediumeditores@gmail.com
Site da Editora
Preço de capa: 13,00€ (cerca de 185/190 páginas)- quem reservar e pagar desde logo - informar-se com o editor sobre forma de pagamento - receberá por correio o nº de exemplares pretendidos, sem portes.
Só pelo custo.
Não pelo valor do livro....(modesta hemm?)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Texto do 3º Jogo das 12 Palavras

Esta a minha participação no 3º Jogo das 12 Palavras no Eremitério, entre outras 33 participações. Passem por lá e leiam - estejam à vontade que o Eremit@ fica contente com a visita e a prosa.
O filho


Olhou a criança e sorriu.
Era ousada, confiante, sem vulnerabilidades.Não admitia qualquer obstrução, desconhecia o sentido, melhor, a existência do medo, mas não de forma inconsciente.Inquiria e ponderava, elaborando um plano para a acção, como se escutando a voz de um conselheiro que lhe indicasse o caminho. A melhor forma de agir.

Aquela criança era, para ele, suave orvalho sobre sequiosa terra, bálsamo de seus dias após a morte da mulher e da filha e com um simples balbuciar conseguia afastar toda a tristeza e dor.

Recordou o dia em que se decidiu pela adopção e se apresentou nos respectivos serviços como exponente aguerrido, determinado e seguro do seu direito, enquanto homem só, viúvo, a adoptar uma criança.
Qualquer criança.
Sem imposição de critérios ou exigências.Lembrou o dia em que foi ao sótão buscar a tapeçaria que Isabel fizera para o quarto da filha.
Nela incorporara todos os seres, mitológicos e virtuais, os de contos, filmes e desenhos da própria e da predilecção de Maria Teresa.

Usara materiais vários que ambas recolhiam nos passeios pelos jardins e praias, desde folhas, vidros coloridos, penas…Tudo o que de belo encontravam e as fascinava…No estilo naiff, a tapeçaria era belíssima e cheia de magia.
Há muito saíra da parede da cabeceira de Maria Teresa e fora arrumada no sótão.

Enquanto olha João brincando, afoito no mar, recorda a manhã em que a foi buscar para redecorar o quarto da sua ou seu futuro filho. Lembra-se de na altura haver pensado que seria um óptimo elemento decorativo porque fora tecida com amor.
Estava impregnada de amor e irradiava-o.
Seria um bom acolhimento para a criança que aí vinha.
Saltando entre a rebentação João chamou-o.
- Pai…anda cá paiiii….
Levantou-se sorrindo e foi ao seu encontro.
João, com a sua voz de criança, mas com uma segurança invulgar para a idade, disse:
- Pára! Pára aí pai!
Parou, curioso.
João veio ter com ele. Andou em círculos, ao seu redor, calado e muito atento. Depois agarrou-lhe as mãos, ordenando-lhe que rodasse num determinado sentido e, súbito disse, com voz de comando:
- Está bom pai. Fica quietinho.
Viu-o baixar-se e, com um seixo que trouxera da rebentação, começar a desenhar o contorno da sombra, um pouco alongada pela luz do sol ao encontrar o obstáculo de matéria que o constituía, deixando no areal uma silhueta distendida.
Sorriu.
Perguntou-lhe:
- João, como queres que coloque os braços?

quinta-feira, 15 de maio de 2008

sábado, 3 de maio de 2008

daS globalizaçõeS


Esta já é muito conhecida e apavora alguns estados enquanto anima alguns tubarões do capital.

Esta, creio que foi a primeira, logo pioneira e.... paradigmática,

a partir de uma unidade familiar e da triste realidade que foi/é o desaparecimento - o que quer que a palavra queira dizer - de Madelleine.

(capa do correio da Manhã - Google)

LUZ por e para Madelleine e tantas outras crianças.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Que nome de país? Portugal ou ABSURDO?

Não sei se lerem ou ouviram.
Pois se vos passou desapercebido aqui vos deixo a notícia.
Como é do conhecimento geral e comum (coisas de Estado merecem linguagem La Palaciana) o fisco tem novas regras, segundo as quais as secções de finanças desencaderam uma caça aos faltosos com quadro da "vergonha" para todos verem e saberem da falta de "cidadania" dos faltosos - e eles, Estado, finanças em geral, sabem lá das necessidades que os faltoso têm, da vontade ou incapacidade em liquidar a dívida...!
E isso que lhes importa?
BOM, o certo é que das finanças de Matosinhos (foi o que disseram na SIC) foram a Custóias - ESTABELECIMENTO PENAL DE CUSTÓIAS - cobrar a dívida de um detido penhorando-lhe os bens existentes na cela...
Quaquer coisa como um rádio leitor de CD e um ou dois, sei lá quantos, CD's....
Portugal, nome de país ou... mudamos-lhe o nome pelas absurdas práticas?
Digam-me de vossa justiça. As urnas estão abertas e a votação decorre.

E já agora façam o favor de se servir.... Retirem o que vos aprouver.

terça-feira, 1 de abril de 2008

para ti mãe, no dia de teu nascimento


com orgulho por te haver tido em minha vida,
com gratidão por tudo que me deste e com amor

quinta-feira, 20 de março de 2008

há um lago nos olhos da casa

há um lago nos olhos da casa
fechado
em teu coração

o enfraquecido
pulsar do sangue
não logra abri-lo

na água nem uma vibração

sexta-feira, 7 de março de 2008

NO DIA MUNDIAL DA MULHER - sobre histórias de vida de mulheres

Posted by Picasa

Enchia a boca para dizer como gostava dela. Como a amava.
A todos indiscriminadamente. Mesmo a quem nunca a vira, muito menos a conhecia e nunca poderia reconhecê-la.
Marejavam-se-lhe os olhos e deixava as águas correr mansas como convêm a homem de boa criação.
Dizia da dor que sentia pela ausência. Da ingratidão talvez…,de tudo o que lhe dera e da incompreensão e dureza dela.
Quem o ouvia concordava ao vê-lo tão esfacelado, tão dorido… O sofrimento assim exposto.

O que nunca dissera a ninguém, talvez nem a si mesmo, era de como ela o amara com carinho, de como a remetera para um segundo ou terceiro plano, a colocara num insustentável lugar e estatuto que ela, estóica e dedicada, suportara, na esperança de que ele visse o erro nos seus comportamentos e atitudes, pois lhe ia dando algumas dicas sobre o desconforto que por vezes sentia mais forte e só ultrapassava apelando a toda a sua energia e amor.
O que ele nunca disse a ninguém foi de como as necessidades dela lhe eram de pouca importância porque afinal estando ele presente – aparentemente diria ela – ela tinha o mundo. Claro que nunca poderia dizer isto porque sobre tal comportamento não reflectia.
Seria atávico, genético, adquirido na primeira infância e fossilizado…?
Pouco importava pois o resultado era só um e sempre o mesmo.
Vivia a vida em função de si mesmo e esperava, mais, exigia que ela assim vivesse e todos os gritos dela, uns de socorro, outros de alerta, passavam-lhe ao lado. Fantasmas incorpóreos sem peso e sem sentido, nunca vistos nem ouvidos.

Ela, como vinha, lançava apelos como âncoras, raízes que se espalhavam no ar, gavinhas… Mas fugidia era a natureza dele a tudo o que não fosse o seu universo. Um mundo e uma vida nos moldes por ele definidos.
Etéreo ou imaterial era o seu sentir. Nunca se deixava tocar.
Nunca se deixou tocar. Só os gestos que lhe eram destinados o alcançavam e importavam.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Apagão Mundial - em prol da vida da e na terra

Escuridão mundial: No dia 29 de Fevereiro de 2008 das 19:55 às 20:00 horas propõe-se apagar todas as luzes e se possível todos os aparelhos eléctricos, para o nosso planeta poder 'respirar'.
Se a resposta for massiva, a poupança energética pode ser brutal.
Só 5 minutos, para ver o que acontece.
Sim, estaremos 5 minutos às escuras.

Podemos acender uma vela e simplesmente ficar a olhar para ela, ou para o mundo.


Estaremos a respirar.


O planeta e nós.
Lembrem-se que a união faz a força e a Internet pode ter muito poder e podemos mesmo fazer algo em grande.
Passa a notícia se quiseres, se tiveres amigos a viver noutros países envia-lhes e pede-lhes que façam a tradução e adaptem as horas.
(post de autoria de Adesenhar)

sábado, 16 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

pérolas da vida



Olho os rostos nas ruas, nos autocarros, no metro…Olho e observo a maciez, a falta de brilho de cor de vida.

Vejo o cansaço.

A ausência do ser, de corpos que se movem e mecanicamente executam tarefas.
Triste. Tristeza às toneladas.
Folheiam-se jornais e lemos desgraças dores flagelos assassínios….às molhadas, tornando o mundo um local ainda mais penumbroso, sombrio, ameaçador.
No meio de todas estas imagens e cenários do dia-a-dia de que deixo SÓ, dois exemplos:
- no passado mês de Janeiro 45.000 pessoas morreram, na República Democrática do Congo, na sequência da guerra civil e da fome;


- por ano 600.000 mil pessoas são traficadas no espaço europeu. Mulheres e
crianças maioritariamente. Mais de 80% são mulheres e crianças e cerca de 70% são transformadas em escravas do sexo.

No meio de cenários destes uma notícia positiva, de alegria, bem-estar, harmonia, merece destaque maior porque senão passamos todos a ver o mundo a preto e branco quando na sua imensa riqueza e variedade ele continua com todas as cores do arco-íris aí, disponível para o vermos e vivermos de uma outra forma.
Uma família de 5 pessoas, pais e 3 filhos, são, há anos, os únicos habitantes da aldeia de Aigra Velha, na Serra da Lousã, a 15 Km de Góis, sede do Concelho.
A filha mais velha já licenciada mantêm-se na cidade onde os irmãos mais novos tiram os cursos para acompanhamento e apoio MAS os 3 pensam retornar à terra - e para lá correm sempre que os estudos o permitem - sendo que dois deles já têm trabalho assegurado no Concelho e a mais nova não vê dificuldade de inserção laboral e sabe que encontrará solução.
Deixo-vos com algumas palavras da mãe e do pai:
Mãe - «”O céu, o sol, a lua e a terra, aqui tudo é nosso”»
Pai – recusou a identificação/designação de chefe de família assumindo-se como «” um elemento de uma casa onde existe uma carteira e a liberdade para que cada um escolha o seu caminho.”»

P.S – Notícia no Jornal de Notícias, 3 Fev.2008:37

domingo, 27 de janeiro de 2008

o vento - Haiku



o vento sorri
e seu perfumado hálito
embala a vida.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O slide-show abaixo é para a Bettips(...)

(...)pela sensibilidade e beleza que connosco compartilha.
Estas frases deveriam estar lá, mas alteram-me o código e o slide-show desaparece .
Façam favor de ver o post abaixo, mas por favor antes vejam o dito slide-show abaixo.
Depois sigam o link e vão até à casota dela deliciar-se com a beleza, sua sensibilidade e humor muito próprio que nos oferta generosamente.

Veja meu Slide Show!

domingo, 6 de janeiro de 2008

Feliz Dia de Reis


Possam os bagos da romã multiplicar-se, ao longo do ano, em alimento para o corpo e para o espírito e sempre vos saciem.


Que os Reis tragam Incenso, Mirra e AMOR para vossas vidas.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Amanhecer - 1 Janeiro 2008 (W e S)

Apesar das actuais e evidentes alterações climáticas as Estações do ano dividem-se - ainda - em:
Primavera, Verão, Outono e Inverno.
O Inverno corresponde ao tempo de interiorização, ao tempo em que a própria natureza se recolhe, as sementes, no seio da mãe terra preparam-se para eclodir vibrantes quando a temperatura aquecer e o Sol imperar.
No Inverno a temperatura desce dada a distância ao Sol e o ângulo de incidência dos raios solares. O frio domina grande parte do planeta - conforme o hemisfério - as águas tombam dos céus - sob a forma líquida ou sólida - alimentando toalhas de água, rios, lagos e barragens criadas pelo homem.Pelo meio limpa as poeiras e certos níveis e produtores poluidores que se insatalaram na atmosfera, lava as plantas, rega as terras e quando ela, água, não cai, entramos em desespero - as colheitas para nos alimentarmos; as águas para nos banharmos, bebermos e todo o conjunto de utilização doméstica que lhe damos.
Os ventos sopram mais agrestes.
No Inverno é esperado que as temperaturas sejam baixas, que haja ventos e chuvas com nuvens a passearem-se pelos céus e a despejarem a sua carga sobre o planeta.
Posto isto alguém me sabe dizer porque dizem, a começar: os metereologistas, os pivots dos telejornais e a média/norma dos cidadãos: "ESTÁ MAU TEMPO" ?
?
Para mim está só o tempo próprio da Estação.
Considero mau tempo os grandes e inesperados cataclismos que destróiem casas, plantações, vidas... seja por via de ventos sob uma das muitas designações e formações que existem, seja por cheias avassaladoras que tudo levam, pelo deslizamento de terras e lamas, pelo deslizamento de glaciares em que tudo o que existe fica soterrado e/ou vai na gigantesca leva.
Este tempo k hoje temos é só uma das formas próprias ao invernoso tempo
Ontem fartei-me de ouvir, nos noticiários, referir o "mau tempo que iria fazer, por uns 3 dias, a partir de hoje!"
Por mim acho que para Inverno, genéricamente em Portugal, temos andado muito bem, com muito Sol e, em média, amenas e Outonais temperaturas, salvo uma ou outra excepção infelizmente em alguns pontos do país foi mesmo mau tempo que destruíu bens.
Esta questão coloca-se-me todos os anos. Hoje dei-lhe uma expressão verbal/escrita.
Está tempo de Inverno, ponto.
Se prefiro o SOL? Sem dúvida!
Ainda para mais uma Alentejana até ao tutano.
Mas gosto da variação das Estações e das características de cada uma e desde criança me ensinaram que as estações do ano variavam, e traziam diferentes e complementares (esta designação foi acrescento meu) características.
Desejo então que o nosso "mau tempo" se vá ficando como está e não tenhamos que saber na pele, carne, vidas e bens, o que "mau tempo significa".
Em Portugal o tempo vai mau, mas é a outros, vários níveis.
Aí vai pior que mau. Péssimo diria.
Gozemos então o tempo que o Inverno nos traz para depois melhor apreciarmos as esplenderosas estações seguintes.