segunda-feira, 12 de março de 2007

Resposta a um desafio

O Tozé desafiou-nos a escrever um texto com as palavras abaixo.
Podem vero meu e muitos outros em Ministério da Soltura
A preeminência da boca na paixão é como torrente de sangue entre as coxas,
caíndo em fragmentos que se esmagam no chão.
Dócil íman combatendo a frieza do Inverno, prosa feita de riso e murmúrios.
Gesto que, sem luta, reconstrói e vive, independente da matéria
e desenha imorredoiros traços de luz pelo espaço

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Fotodicionário - OUSADIA

No FOTODICIONÁRIO desta semana a palavra a representar por imagem é: OUSADIA.


Foi minha opção porque o meu cérebro para aí me encaminhou desde o início, representá-la com imagens de gestos simples, mas ousados na sua pureza e inocência.


Estive dividida entre uma das fotos da Inês que abaixo surgem.
O que a nós nos surge como mera brincadeira, e o é também para ela, é também um acto de ousadia: o fazer caretas a um adulto.
Um risco calculado, pois sabe a quem se dirige, mas na criança este é um jogo de coragem e ousadia em que desafia o adulto que confronta e só quando este entra na brincadeira a ousadia deixa de o ser e passa a jogo de inocência e leveza.


O segundo conjunto da Inês (vêm de baixo para cima) representa a primeira vez que ousou subir sozinha íngreme, velha e desprotegida escadaria de pedra em blocos de granito gastos, polidos e por isso escorregadios e perigosos.


O aceno de satisfação por estar lá, sozinha e a descida cautelosa....de rabiote.


Ousadia é bom, mas não abusar também!




A minha decisão final, em termos de escolha, foi para esta foto da filhot'Alexadra - tenho várias em sequência - quando há muitos anos, no campismo, um pardal pousou nela.


E da ousadia do pardal com a timidez dela e o seu cuidado em mover braços e mãos esta imagem de ternura, mas também de ousadia da pequena ave.


Porque os pardais (e não só) costumam fugir dos humanos....































































































































































quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

apetece-me a lua


(foto minha)

apetece-me a lua.

porque ela e eu

somos feitas

da mesma matéria

e vogamos nos mesmos

espaços.

somos feitas

da matéria que

constrói e alimenta

os sonhos

e vogamos tanto

no ar

como na água.

e porque o comum

dos mortais

olha para o chão

e eu olho para cima

para os astros

para o além

sem limites

nem barreiras

e ela, lua,

não se cansa

de correr pelos espaços

atrás do sol

sem sabermos quem é

perseguido e perseguidor.


por isso

chego à janela mais alta

e estendo o braço

a tocá-la.


como quem acaricia

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

a mãe e o passar do TEMPO

Esta semana a palavra proposta para o FOTODICIONÁRIO, foi: TEMPO.

Das mútiplas hipóteses, algumas já em fotos antigas de caídos em desuso relógios de sol, a outras variantes que a palavra na sua dualidade permite, optei por homenagear minha mãe em três períodos distintos de sua vida.
O tempo e a vida.

(Aquela coisita pequenina rabiando, com um longo vestido branco, sou eu. Ou fui....!
De cada lado da mãe um de meus irmãos.)



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sábado, 27 de janeiro de 2007

ainda sobre a palavra "medo"



será a ideia da morte ou a do esquecimento, ou seu desparecimento da face da terra que leva à construção de grandes jazigos?
Históricamente, noutras civilizaçõses e culturas conhecemos (assim o cremos) as razões de ordem religiosa e temporal (das individuais nada sabemos).
Mas nesta nossa, maioritariamnete católica ou cristã, ainda que também maioritariamnete não praticante sempre me intrigou.
O que receiam as pessoas? O que as leva a construir grandes e por vezes imponentes jazigos (estes que mostro não o são muito. São do antigo cemitério local)?

Monumentos ao medo da morte, do esquecimento ou..... vã vaidade?

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Jogo FOTODICIONÁRIO


A palavra escolhida para representação fotográfica esta semana, foi: «MEDO»
Há sempre várias e interessantes opções de abordagem pelo que vale sempre a pena passar no PALAVRA PUXA PALAVRA e ver o que cada um/a dos/as participantes enviou.

Curiosamete, ou não, não me conduziu a grandes reflexões nem dúvidas.
Creio que pelo facto de não ser uma pessoa de...medos.
Não tenho nenhum medo particular. Quase me arriscaria a dizer não ter medo(s).
Mas sei que tal é verdade no actual contexto de vida e tem-no sido nos vários e diferentes contextos já vivenciados, por vezes em situação de perigo.
Mas sei que é relativo e que noutras circunstãncias o "medo", esse animal que criamos e mata a alma, alimenta as ditaduras e outros processos similares, pode emergir.

O que me foi logo presente ao pensamento e sentimento foi o medo geral e abstracto que leva as pessas a isolarem-se cada vez mais, a fazerem das casa quase caixas-fortes, pelo menos à medida das suas bolsas.
As janelas com gradeamentos cada vez mais presentes nas ruas das cidades - foi essa a minha representação do MEDO (alheio).
A insegurança (real ou sentida, porque a maior parte dos medos são interiores . Criados por cada um de nós), como geradora de MEDOS na sociedade actual.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Concluindo


Aceite o DESAFIO veio-me mais este texto à cabeça e aqui está ele. Sobre o DESAFIO podem informar-se AQUI!

«Desafio a quem por aqui passa , a escrever um conto ou um poema, com as seguintes palavras:

FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.
Enviar para:
tozribeiro@gmail.com»

Sentada no café ao sol concluí que audácia é continuar a perseguir a vida. Independentemente das formas por que o façamos.

Seguir o eco de antigas vidas, ouvir a voz da consciência, não só a dos sentidos, sem temer o negrume da noite ou o da morte.

A água da pele, feita espelho onde, de norte para sul, em cada célula, minúscula tela, breves retalhos de esquecidos gestos se revelam e, pedra a pedra, reconstroem os degraus até ao início da vida. Ao sexo.